Ilha do Sal - Mergulhando com o Povo do Atlântico
A Nautilus organiza anualmente algumas viagens e desta vez o destino escolhido foi a Ilha do Sal em Cabo Verde. Começou-se a organizar tanto a parte da estadia como a do grupo e após algum tempo já havia 11 pessoas, hotel e mergulhos como não podia deixar de ser. O grupo 5 estrelas, sempre divertidos, sempre prontos para mergulhar, mergulhar, mergulhar…
Apenas a 3 horas e meia de distância situa-se o arquipélago de Cabo Verde em pleno Oceano Atlântico, a 700km da costa Ocidental de África, entre os paralelos 17º 20' N e 14º 50' N e os meridianos 22º 40'W e 25º30'W, sendo este composto por dez ilhas: Sal, Santiago, S. Vicente, Santo Antão, S. Nicolau, Fogo, Brava, Maio, Boavista, Santa Luzia e algumas ilhotas.
O arquipélago é beneficiado por um clima subtropical temperado, com temperaturas médias do ar entre 22º e 27º na estação fria. A temperatura chega acima dos 32º, nos seus meses mais quentes de Agosto e Setembro.
A temperatura da água varia de acordo com as estações do ano sendo também afectada pela existência de termo climas. Assim estas podem variar entre os 21º e os 28º à superfície e entre os 18º e os 24º no fundo.
A Ilha do Sal é um grande planalto, com apenas um morro com altitude máxima de 400 metros acima do nível do mar. Esta ilha é um destino ideal para amantes do mar e mergulhadores, uma autêntica "Pérola" de sol, areia, sal e mar.
O seu nome deve-se às inúmeras salinas de onde saiu o primeiro produto de exportação. Esta ilha significa férias com sol durante todo o ano. É o local ideal para desligar-se do mundo e mergulhar, mergulhar, mergulhar.
A venda de artesanato constitui um dos modos de vida dos habitantes da Ilha do Sal. Não há praticamente rua nenhuma em que não se encontre um vendedor ou que não exista uma loja ou um "armazém" de venda de artesanato. O facto de haver muitos objectos feitos em madeira à venda, quando na ilha do sal existem tão poucas árvores, levou-me a perguntar a um vendedor qual era a origem do artesanato, tendo-me ele respondido que a madeira era proveniente de outras ilhas de Cabo Verde. Existem três grupos distintos de vendedores (Cabo-verdianos, Senegaleses e Guineenses)
Ficamos hospedados no hotel Dunas de Sal, com um serviço de excelente qualidade, quartos impecáveis, refeições bem confeccionadas e para os acompanhantes piscina, ginásio, etc. Mas vamos ao que é importante o mergulho. O centro de mergulho situa-se no hotel e está sob a responsabilidade do Instrutor João Guedes que para além estar sempre pronto a ajudar a adaptar-se aos nossos caprichos zelava por uma elevada segurança e sentido de responsabilidade.
Os mergulhos foram feitos ao nosso gosto e tudo correu na perfeição. Desde mergulhos em naufrágio a grutas corremos grande parte da Ilha.
Com mais de 10 pontos de mergulho na região de Santa Maria, e mais uns quantos pontos acessíveis de carro, o que chama atenção é a quantidade de peixes. Entre os principais locais de mergulho que pudemos visitar, vou descrever os que mais me marcaram:
• 3 grutas – muito próximo da praia, tem visibilidade media, cerca de 10 metros, porém dentro das pequenas grutas podemos encontrar grandes cardumes de salemas, trombetas, badejos, além de moreias. As paredes são forradas de um soft coral, conhecido localmente como "margarida".
• Palmeira – Parede de pedra, repleta de coral e pólipos, com entrada por uma gruta que, depois de percorrer o interior da parede, tem saída pelo lado oposto. O percurso no interior é de cerca de 15 minutos, existe possibilidade de ver tubarões-gatas, grandes raias, lagostas e tartarugas.
• Buracona – Parede de pedra com entrada para uma gruta. No seu interior, uma abertura na superfície, permite a entrada da luz solar, causando um efeito de beleza indescritível.
• Sa nto Antão – Um clássico naufrágio. Navio naufragado partido ao meio e onde se observa uma imensa vida subaquática.
• Boris - Pequeno naufrágio de Janeiro 2006 – a cerca de 30 metros de uma beleza indescritível e com uma quantidade de fauna incrível. Ainda bastante inteiro, com mastro e antenas
Conclusão, quando partimos rumo ao Sal as minhas perspectivas era ter um pouco de descanso, ler á beira da piscina, ouvir o barulho do mar fazer uns mergulhitos, mas nada disto aconteceu. O livro só serviu para eu ter mais lastro no avião, a piscina para ter que ir lá buscar o chapéu que voou da minha cabeça quando já estávamos todos vestidinhos para ir à vila e o descanso substituído pela nossa algazarra diária, desde imitar o cantar das rolas à tagarelice, tão grande que se sobrepunha ao barulho do mar.
As noites eram passadas a ver as filmagens dos mergulhos do dia bem como as magnificas fotos. Num dos dias até foi feito um concurso de fotografia, cada um escolheu 3 fotos, juntamos, baralhamos e arranjamos júris idóneos com prémios verdadeiros. Não houve batota nem compadrios e ganhou o melhor. As histórias dos mergulhos eram uma constante galhofa e todos os pretextos e situações eram bons para uma boa gargalhada.
Ao fim dos 7 dias ninguém queria regressar, afinal aquela ilha de areia e sal ficou nos nossos corações com a promessa de um dia lá voltar.
Isabel Alpiarça
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